quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Permite que Deus fale com você todos os dias?

 

Uma mulher lendo a Bíblia em um trem Pode reservar tempo todo dia para a leitura da Bíblia?
COM que freqüência você se olha no espelho? Para a maioria de nós, isso é um costume diário — talvez façamos várias vezes ao dia. Por quê? Porque nos preocupamos com nossa aparência.
Ler a Bíblia pode ser comparado a olhar no espelho. (Tiago 1:23-25) A mensagem registrada na Palavra de Deus tem o poder de nos permitir ver como realmente somos. Ela “penetra até a divisão da alma e do espírito”. (Hebreus 4:12) Em outras palavras, a Bíblia separa o que parecemos ser por fora daquilo que realmente somos por dentro. Mostra que ajustes precisamos fazer, assim como um espelho.
A Bíblia revela os ajustes que precisamos fazer e também nos ajuda a fazê-los. O apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça.” (2 Timóteo 3:16, 17) Dos quatro benefícios destacados, note que três deles — repreender, endireitar as coisas e disciplinar — envolvem ajustes em nossas atitudes e ações. Se precisamos olhar regularmente no espelho para ter a certeza de que a nossa aparência está aceitável, quanto mais precisamos ler a Palavra de Deus, a Bíblia, regularmente!
Ao designar Josué para liderar a nação de Israel, Jeová Deus disse: “Este livro da lei não se deve afastar da tua boca e tu o tens de ler em voz baixa dia e noite, para cuidar em fazer segundo tudo o que está escrito nele; pois então farás bem-sucedido o teu caminho e então agirás sabiamente.” (Josué 1:8) De fato, para ser bem-sucedido, Josué precisava ler a Palavra de Deus “dia e noite”, ou seja, regularmente.
O primeiro salmo também mostra os benefícios de se ler regularmente a Bíblia: “Feliz é o homem que não tem andado no conselho dos iníquos, e que não se deteve no caminho dos pecadores, e que não se sentou no assento dos zombadores. Mas, seu agrado é na lei de Jeová, e na sua lei ele lê dia e noite em voz baixa. E ele há de tornar-se qual árvore plantada junto a correntes de água, que dá seu fruto na sua estação e cuja folhagem não murcha, e tudo o que ele fizer será bem-sucedido.” (Salmo 1:1-3) Com certeza, queremos ser esse tipo de pessoa.
Muitos fazem da leitura da Bíblia um hábito diário. Quando perguntaram a um cristão por que ele lê a Bíblia todo dia, sua resposta foi: “Se oro várias vezes a Deus durante o dia e espero que ele me escute, por que eu não deveria também escutar a Deus por ler sua Palavra todo dia? Se queremos ser bons amigos, também devemos estar dispostos a escutar.” Isso faz sentido. Ler a Bíblia é como escutar a Deus porque dessa maneira ficamos sabendo o seu ponto de vista sobre os assuntos.

Vencer o desafio

Pode ser que você já tenha tentado iniciar um programa de leitura da Bíblia. Já leu a Bíblia inteira, de capa a capa? Essa é uma forma excelente de se familiarizar com o seu conteúdo. No entanto, alguns já tentaram muitas vezes ler a Bíblia inteira, mas o seu programa de leitura acabou sendo interrompido. Já lhe aconteceu isso? O que você pode fazer para atingir o alvo de ler toda a Bíblia? O que acha de tentar estas duas sugestões?
Inclua a leitura da Bíblia em sua rotina diária. Para cada dia, escolha uma hora em que é mais provável que você possa fazer sua leitura da Bíblia. Tenha também um plano B. Se por alguma razão não puder fazer a leitura no horário preferido, selecione um outro para não deixar passar nenhum dia sem ler a Palavra de Deus. Dessa maneira, estará imitando o exemplo dos antigos bereanos. Lemos o seguinte sobre eles: “Recebiam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim.” — Atos 17:11.
Tenha um alvo específico. Por exemplo, se você ler entre três e cinco capítulos por dia, poderá ler a Bíblia inteira em apenas um ano. A tabela na próxima página mostra como isso pode ser feito. O que acha de tentar seguir esse programa? Na coluna “Data”, escreva quando vai ler cada grupo de capítulos. Tique os quadrículos à medida que lê os capítulos. Isso o ajudará a saber onde está na leitura.
Depois de ler a Bíblia inteira, não precisa parar por aí. Pode usar o mesmo programa para ler toda a Bíblia cada ano, talvez começando numa parte diferente. Se quiser fazer a leitura da Bíblia num ritmo mais lento, pode ler cada grupo de capítulos em dois ou três dias.
Toda vez que ler a Bíblia, você encontrará coisas novas para usar em sua vida — coisas que não tinha notado antes. Por quê? Porque “está mudando a cena deste mundo”, e nossa vida e circunstâncias também mudam constantemente. (1 Coríntios 7:31) Assim, esteja decidido a olhar todo dia no espelho da Palavra de Deus, a Bíblia. Dessa maneira, pode ter a certeza de que estará permitindo que Deus fale com você todos os dias. — Salmo 16:8.
 


Sentinela 1/8/2009

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aproveite ao máximo as circunstâncias




QUEM é que, hoje em dia, verifica ser absolutamente ideal o seu quinhão na vida? Dificilmente há alguém! Sem dúvida, todos temos de enfrentar certas durezas ou perturbações. No entanto, nas atuais condições imperfeitas, por que não tenta aproveitar ao máximo suas circunstâncias? Se fizer isso, poderá contar muitas bênçãos.
Acontece-lhe ser uma dona de casa com uma família, talvez uma família grande? Sente-se às vezes descontente, amolada e um pouco frustrada? Talvez haja pilhas de pratos a lavar, grande cesto de roupa suja a lavar e passar e vários quartos a limpar. Por que não encarar as coisas de forma positiva? Não indicam estas mesmas coisas que sua família tem bastante para comer, suficiente roupa e um teto sobre suas cabeças? O que é melhor, a sua situação, ou a de milhões que sentem-se famintos, andam seminus e não têm um lar?
Talvez suas circunstâncias sejam tais que tenha de ser extremamente frugal em tudo que compra. Por que não considera isto como um desafio à sua engenhosidade de aproveitar ao máximo as coisas? Houve a dona de casa que, nos anos posteriores de prosperidade chegou a afirmar que seus anos mais felizes foram durante os tempos difíceis da Depressão, por causa do prazer derivado de fazer o melhor uso possível de tudo para conseguir cobrir suas despesas. Ademais, sabia que grande número das doenças degenerativas modernas se acham um tanto intimamente associadas com o modo de vida próspero?
Ou é vítima da aposentadoria compulsória, tendo sessenta e cinco anos ou sendo mais velho? Será que os dias agora lhe parecem longos, e arrastar-se, atingindo não só sua disposição mental mas também sua saúde? Nesta situação, adote o conceito positivo e tente ser de ajuda a outros. Conforme certo compêndio para o tratamento dos idosos e dos excepcionais se expressa: “Há uma lenda que o homem idoso morrerá de fome se não tiver alguém que cozinhe para ele e a senhora idosa morrerá de fome se não tiver alguém para quem cozinhar. Trata-se dum truísmo geralmente aceito.” Assim, há bastantes pessoas que se poderiam beneficiar de sua ajuda.
Agora, como cidadão mais idoso, talvez seja o tempo de empreender um ou mais passatempos que lhe dêem mais prazer de viver. Talvez seja a fotografia, ou aprender a tocar algum instrumento musical, ou aprender um idioma estrangeiro. Ou, talvez ache interessante cultivar plantas como um jardim bonsai ou violetas africanas. Daí, então, seu temperamento talvez se ajuste a fabricar artefatos de madeira, de couro ou de metal, ou escrever poesia ou artigos. Tais passatempos não só aumentaram o interesse mas também a renda de muito senhor ou senhora aposentados.
Ou, talvez, seja o arrimo duma família, mas, na atualidade, esteja desempregado. Por certo se trata duma circunstância provadora em que se encontra. Todavia, mesmo nesse caso, não melhorará sua situação por entregar-se ao modo de pensar negativo e ficar amargurado ou casmurro. Siga o proceder sábio: conte e aprecie suas bênçãos. Se tiver certa medida de saúde e vigor, pode sentir-se grato por tais coisas. Na medida em que tiver entes queridos, dispõe de motivos para sentir-se grato, pois, não são eles tesouros inestimáveis? Dispõe de seguro de desemprego, seguro social, de economias, ou de alguma outra forma de auxílio? Se assim for, aprecie tais provisões.
Aprenda a aproveitar ao máximo suas circunstâncias. É óbvio que há limite quanto ao tempo que possa gastar procurando emprego. Mas, não é verdade que, quando tinha pleno emprego, havia tantas coisas que precisavam ser feitas no lar, para as quais não dispunha de tempo? Agora tem tempo; interesse-se em fazê-las.
Devido ao desemprego, talvez disponha de tempo para ler mais, a leitura da espécie que não só é interessante mas também educativa. Talvez consiga agora adquirir perícias que talvez até mesmo lhe sirvam para conseguir um emprego melhor.
Ou, tem dificuldades físicas? Então, aprenda uma lição de certo californiano, pai de sete filhos. Contraiu uma infecção que paralisou por completo todos os seus quatro membros, tornando-o um quadriplégico. Embora já esteja nesta situação por mais de treze anos, é a pessoa mais jubilosa, otimista e extrovertida que poderia desejar conhecer. Incapaz de usar qualquer coisa além da mente e a voz, juntou-se a um clube de correspondência e se corresponde com pessoas de todo o mundo por meio de gravações a fita, seus filhos mudando as fitas para ele. Também faz gravações para amigos e conhecidos cegos. A experiência dele traz à memória o velho ditado: ‘Eu me queixava de não ter sapatos até que encontrei um homem que não tinha pés.’
As dedicadas testemunhas cristãs de Jeová, em especial, aprendem a aproveitar ao máximo as circunstâncias. Além de praticarem a prudência quanto às coisas materiais, usam qualquer tempo extra de que disponham para promover seu ministério. Fazem estudo e pesquisa bíblicos pessoais e devotam tempo a pregar a boa-nova do reino de Deus e a tentar fazer discípulos daqueles que amam a Bíblia e a justiça. — Mat. 24:14; 28:19, 20.
Não ficam facilmente desanimados. Como exemplo, considere a dedicada senhora cristã que reside em Porto Rico, sendo esposa dum marido descrente. Como a maioria das donas de casa, cuida de seu lar e prepara as refeições do marido. Ao mesmo tempo, faz a média de várias horas por dia, falando aos outros a boa-nova do reino de Deus. E faz todas estas coisas com o coração alegre, embora seja totalmente cega; ela se movimenta com a ajuda dum cão para cegos.
O que especialmente ajuda estes cristãos dedicados a aproveitar ao máximo as coisas é amarem a Deus de todo o seu coração, sua alma, sua mente e sua força, e amarem o próximo como a si mesmos. Acatam a Palavra de Deus, de buscar primeiro o reino de Deus e Sua justiça, avaliam que a piedade com contentamento é grande lucro, e descobriram, pela experiência, que há mais felicidade em dar do que há em receber. Se desejar ajuda para aproveitar ao máximo suas circunstâncias, eles se sentirão alegres de lhe oferecer tal ajuda. — Mar. 12:30, 31; Mat. 6:33; 1 Tim. 6:6; Atos 20:35.




Despertai 22/06/1972

Texto diário


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Texto diário

O Fundidor e Purificador de prata

Flores e Rosas paisagens natureza flores rosas
Malaquias 3:3 diz: 'E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata...'



Esse versículo bíblico intrigou umas mulheres de um estudo bíblico e elas ficaram pensando o que essa afirmação significava em relação ao caráter e a natureza de Jeová Deus.

Uma delas ofereceu-se para descobrir sobre o processo de refinamento da prata para o próximo estudo bíblico.

Naquela semana, a mulher ligou para um ourives e marcou um horário para assistí-lo trabalhar. Ela não mencionou a razão do seu interesse e só disse estar curiosa para conhecer o processo.

Ela foi assistí-lo. Ele pegou um pedaço de prata e o segurou sobre o fogo, deixando-o esquentar.

Ele explicou que, no refinamento da prata, é preciso que segure-se a mesma bem no centro da chama, onde é mais quente e queima-se as impurezas.

A mulher pensou sobre Jeová, que às vezes, segura-nos em situações 'quentes' e pensou novamente no versículo: 'E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata...'

Ela perguntou para o artesão se ele tinha mesmo que ficar sentado o tempo todo na frente do fogo enquanto a prata estava sendo refinada.

Ele disse que sim; que não somente ele tinha que ficar lá, segurando a prata, mas que ele tinha que, também, manter seus olhos na mesma o tempo todo que ela estivesse nas chamas. Se a prata ficasse um minuto a mais no fogo, seria destruída.

A mulher ficou em silêncio por um momento. Então, ela perguntou: 'Como você sabe quando a prata está totalmente refinada?'

Ele sorriu e disse: 'Ah, isso é fácil... É quando eu vejo minha imagem nela.'

Se hoje você está sentindo o calor do fogo, lembre-se que os olhos de Jeová estão sobre você e que Ele vai ficar cuidando de ti até que Ele veja Sua imagem em você.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Associação




Certo fazendeiro tinha um pássaro de estimação que ele gostava muito. Daí certo dia aquele pássaro ao ver outros pássaros comento a plantação do fazendeiro e pareciam fazer aquela algazarra. Daí o pássaro de estimação, tolamente, resolveu se envolver com eles naquela fanfarrice. O fazendeiro notando a algazarra dos pássaros em sua plantação, apontou sua espingarda e atirou contra eles, sem se aperceber que o seu pássaro querido estava lá, e encontrou depois o seu querido pássaro caído, morto no chão, junto com outros. Quão lamentável foi para o seu dono. Da mesma forma, quão lamentável poderá ser se no dia de Jeová as forças angélicas executarem julgamentos adversos sobre os iníquos e estivermos nós também no meio deles.

"Como maçãs de ouro"

                                                                                 




“Como maçãs de ouro”
“A PALAVRA proferida a seu tempo é como maçãs de ouro em cestos de prata.” Assim disse o sábio Rei Salomão, e poucos discutiriam com ele a exatidão dessa declaração. A palavra bem-escolhida, falada na hora certa, é uma obra de arte da mesma forma que seria um lindo ornamento de prata ou de ouro. Poucos depreendem, contudo, quanto está envolvido na boa expressão e quão necessário é escolher palavras que causem o máximo de impacto no público.
As palavras são, naturalmente, usadas para transmitir informações e idéias de uma pessoa para outra, e, assim, qualquer pessoa que tenha uma mensagem a transmitir deve interessar-se em aprimorar suas faculdades de expressão. Se as pessoas a ouvirão ou não dependerá grandemente de como expressa seus pensamentos.
Bem, todos nós compreendemos que grandes obras literárias são lidas e relidas por seu público exatamente da mesma forma que grandes obras musicais são ouvidas vez após vez, e que as informações ficam assim inculcadas na mente do ouvinte pela repetição. A maioria das pessoas instruídas ouviram falar de Shakespeare, por exemplo, mesmo se o inglês não é sua língua materna. Além disso, a maioria tende a reter aquilo que lêem com prazer. Assim, se quisermos frisar um ponto ou convencer alguém sobre algo, devemos tentar fazer com que nossa linguagem seja tão eficaz quanto a daqueles autores antigos.
Os grandes críticos literários, tais como o romano Horácio, o grego Aristóteles ou o inglês Samuel Johnson, estudaram as obras de outros para verificar o que as tornava leitura memorável, e seus achados podem ser de grande ajuda para nós.
De início, todos concordam que escrever bem não é fácil. Samuel Johnson disse que aquilo que foi escrito sem esforço em geral era lido sem prazer. Ademais, todos concordaram que precisamos fazer mais do que apenas contar uma história ou transmitir certos fatos, a menos que nosso relatório deva ser inteiramente funcional. Precisamos também atingir o coração.
Para fazer isso, nossa própria atitude é importantíssima. Estamos deveras interessados nesse assunto? Certo escritor disse que, se alguém desejasse fazê-lo sentir dor, então esse alguém deveria ele mesmo primeiro sentir dor, e, desta forma, sua linguagem soaria genuinamente como a verdade. Por envolvermos nosso leitor, entretendo-o, informando-o ou até mesmo chocando-o, cativaremos seu interesse e, assim, estimularemos suas emoções.
Há várias coisas básicas a se ter presente para isto: o propósito de se escrever, o público a quem nos dirigimos, e a escolha da forma de expressão, chamada estilo pessoal.
Propósito de Se Escrever
É patente que, se nossa intenção for entreter ou divertir, usaremos um estilo radicalmente diferente do usado por alguém que tente explicar um fato científico complicado a um público não-científico. Similarmente, quem tenta convencer seus ouvintes sobre uma verdade religiosa vital não deseja que rolem pelos corredores de tanto rir.
No entanto, seria errado imaginar que o que é escrito para instruir precise, necessariamente, ser maçante, ou que, por se contar uma história fictícia, não se possa transmitir grande verdade. Muitas obras de ficção exerceram grande impacto social por colocarem um personagem típico e simpático em certa situação e então trazerem à atenção do povo as injustiças inerentes a ela.
As obras dos grandes escritores franceses, Flaubert, Balzac e Guy de Mau-passant não só divertem, mas também podem ser consideradas como comentários sociais. As pessoas sabiam que a escravidão era errada antes de Harriet Beecher Stowe escrever A Cabana do Pai Tomás, mas, não foi senão depois de lerem o livro, tendo sofrido junto com o Pai Tomás e começado a entender as tristes condições dos escravos negros nos Estados Unidos, que se moveram a agir.
Por outro lado, o que é escrito para informar não precisa ser enfadonho. Certo escritor romano, chamado Virgílio, escreveu “As Geórgicas”, e, se alguém teve a feliz oportunidade de ter aprendido latim, hoje ainda pode apreciar sua linda seçãozinha, toda em versos, sobre a apicultura. Compreendia que uma ilustração tirada de um assunto inteiramente diverso poderia avivar um discurso cujo propósito era simplesmente didático e que o humor não era, de forma alguma, fora de propósito, digamos, num artigo científico.
Horácio, crítico muito prático, do primeiro século antes de Cristo, disse que, ou o escritor “tenta dar bom conselho ou tenta ser divertido — ou tenta ambos. . . . A mistura de prazer e proveito atrai todo leitor.”
Ilustrando este ponto, um dos mais queridos oradores sobre astronomia para a BBC da Inglaterra, há alguns anos, quase sempre começava suas preleções sobre o céu noturno por falar sobre sua horta e o que os coelhos faziam com sua alface. E, no decorrer da preleção, contava pequenas piadas e estórias, relacionadas um tanto, mas de forma distante, com seu assunto, a fim de reter o interesse dos que não haviam sido treinados a pensar de forma científica.
Compreendia que, embora seu intuito primário fosse transmitir fatos, o secundário tinha de ser fazer isso de tal modo que as pessoas desejassem conhecê-los; e, visto que a maioria não estava sintonizada, por assim dizer, no comprimento de onda científico, ele ajustava seu estilo de acordo com isso.
O Público a Quem Nos Dirigimos
Sim, faz bastante diferença a quem dirigimos nossas palavras. Uma carta a uma tia idosa sobre o assunto de sua saúde ruim vai ser bem diferente em tom, estilo e composição de uma carta a um prospectivo patrão, declarando suas habilitações para o emprego. No último caso, os fatos pesam; no primeiro, o calor humano.
Estamos falando mormente a homens ou esperamos que as mulheres e crianças sejam atraídas pelo que temos a dizer? Ou falamos a uma assistência internacional? É claro que não podemos satisfazer a todos de imediato, e alguns propendem naturalmente para um ou outro assunto. Todavia, é possível dar até mesmo a assuntos técnicos um colorido mais universal, e, assim, atingir mais ampla assistência.
Se estivermos falando a uma reunião internacional, então, a todo custo, usemos ilustrações de diferentes países. Tenha presente que, em todos os continentes, não são os mesmos os pontos de vista sobre assuntos básicos. Suponhamos, para exemplificar, que tentemos convencer os jovens dos perigos da imoralidade. Bem, lembraríamos naturalmente às jovens da vergonha relacionada às mães solteiras. No entanto, será que consideramos também o continente africano, onde se espera que a maioria das jovens tenham tido um filho antes de se casarem, como prova de sua fertilidade, e onde se pensa nisso, não como vergonhoso, mas, em alguns casos, como uma honra? Com freqüência, o homem se recusa a esposar uma jovem até que lhe dê um filho. Muitos milhões de pessoas pensam dessa forma, assim, precisamos ter presente tais coisas ao escrevermos.
Outro exemplo poderia ser o do artigo técnico. A menos que escrito só para um público que já possua conhecimentos científicos e se tencione usá-lo como referência, raramente haveria utilidade em enchê-lo inteiramente com fatos e estatísticas, em especial nos primeiros parágrafos. As mulheres quase sempre evitam, como que a peste, os artigos que contenham uma porção de fatos numéricos, como revela uma espiada numa revista que vise principalmente as mulheres. Parecem gostar de números só ao tricotar! As pessoas em países africanos e asiáticos, onde se dá mais ênfase às relações humanas e menos à tecnologia, acham difíceis de absorver as informações puramente científicas. E para ser honesto, há muitos poucos de nós que sintam o prazer do velho professor de matemática inclinado sobre uma página composta inteiramente de equações que ergueu os olhos, reprimindo o riso, e disse: “Digo-lhe que ele escreve muito bem, não escreve?”
Assim, suponhamos que escrevêssemos uma carta sobre a Represa Kossou, na África. Poderíamos começar, talvez, por suscitar a simpatia dos nossos leitores para as pessoas que moram nos povoados próximos e que, até agora, não dispunham de água corrente ou de eletricidade, e para as quais a represa será uma bênção. Ou, pelo contrário, talvez pudéssemos deixá-lo preocupado com os efeitos ruins que tais represas terão na população comum, devido ao aumento das doenças transmitidas pela água. Daí, depois disso, poderíamos passar a tais fatos um tanto indigestos de quão comprida e quão profunda é, e quantas toneladas de peixe se espera que produza.
Daí, por fim, tendo captado o interesse de nosso leitor, desejaremos retê-lo, e isso dependerá, em grande parte, de nossa maneira de apresentação.
Maneira de Apresentação
Primeiro, podemos variar a estrutura em que expomos nossas informações. Podemos escrever um documentário direto, contando que os fatos falem por si. Ou poderíamos apresentar nossas idéias em forma de diálogo, como fizeram Platão ou Aristófanes, cada um dos personagens apresentando um diferente ponto de vista. Ou poderíamos escrever uma peça ou história e, pela forma em que os vários personagens terminam, mostrar o que achamos de certas situações. Às vezes, numa peça, um coro no palco pode comentar a ação, ao ir-se desenvolvendo, para sublinhar o ponto, como fizeram no drama grego. Às vezes, é ainda mais eficaz deixar que a ação fale por si. Algumas obras excelentes foram feitas quase que inteiramente em verso, como foi o livro de Jó.
Em segundo lugar, as próprias palavras escolhidas influirão no nosso público. Todos os críticos concordam que precisamos ser simples e breves, mas variados. Aristóteles dava alto valor à pureza e à clareza, e Horácio aconselhava incisivamente o autor em formação a lançar fora os vasos de tinta e as palavras quilométricas. Com isso queria dizer que não devemos ser floreados demais nem usar palavras compridas e eruditas que ninguém compreende.
Embora desejássemos ornamentar aquilo que dizemos, não há absolutamente nada que sobrepuje o estilo simples e direto. Demasiadas palavras, ditas muito apuradamente, talvez até confundam nosso público e lhe dêem desejo de abandonar a leitura. Veja o exemplo da biografia de Cristo, feita por João. É um modelo de simplicidade, o estilo e o vocabulário de João o assinalando como homem comum e sem letras, todavia, seu Evangelho é tido como o mais comovente dos quatro.
Uma das primeiras ajudas para a simplicidade é a brevidade, mas ser breve é muito mais difícil do que se poderia imaginar. Blaise Pascal, o filósofo francês, escreveu a um amigo: “Tornei esta carta mais comprida do que o comum por falta de tempo para torná-la mais curta.” E o pobre velho Horácio disse, um tanto triste, que era quando tentava ser breve que se tornava ininteligível!
Ele possuía, contudo, muitas idéias brilhantes sobre como nós poderíamos fazer isso. De início, devíamos aparar as palavras desnecessárias e frases repetitivas — livrar-nos do supérfluo, por assim dizer. Embora a informação deva ser completa, deve também ser compacta. A clareza vem de ir ao âmago da idéia e fazê-la destacar-se da mesma forma que uma pessoa num palco detém a atenção mais facilmente do que um grupo.
Esta simplicidade e brevidade que os grandes escritores advogam não significa, contudo, que não podemos variar. Não há falta de palavras interessantes, nem de modos interessantes de nos expressarmos. Temos, na Bíblia, por exemplo, muitos exemplos fascinantes de diferentes estilos, e faríamos bem em imitar alguns deles.
Há o estilo poético dos Salmos; o estilo dramático de Habacuque; as imagens vívidas de Naum, que fala da chama de espada e do raio da lança; o estilo expressivo e epigramático dos Provérbios; a linguagem direta e concreta de Jonas (certamente ele não tinha nenhuma necessidade de florear a história!); ou a linguagem conversante, cotidiana das parábolas de Cristo. Ao expor a falsidade, poderíamos usar o estilo irônico, como fez o apóstolo Paulo em sua carta aos Coríntios, mostrando com sutileza sua ingratidão ao instituírem seus “superfinos apóstolos”.
Nosso motivo, por certo, é importante. Poderíamos indagar-nos se nossas palavras influirão em nosso leitor, em seu conceito sobre a vida, seu trabalho ou suas relações com outros. Esperamos suscitar idéias boas ou más pelo que escrevemos? Apresentaremos um imoral como nosso herói e tentaremos desculpar seu erro, ou apoiaremos, talvez, uma teoria que contradiga a Bíblia?
Não importa quão bem escrito possa ser um livro, se visa promover uma idéia contrária à boa moral, então não agradará ao verdadeiro cristão. Com efeito, tal livro pode ser perigoso, pois, se escrito bastante bem, poderá seduzir pessoas a entreter maus pensamentos, quase da mesma forma que algo muito bem escrito pode encorajar bons pensamentos.
Por fim, tendo dito tudo que há para se dizer, o resto fica, como disse certa vez Terentianus Maurus, ‘nas mãos de nosso leitor’. Como ilustração final, consideremos o caso daquele famoso rei que apreciava o valor da palavra proferida a seu tempo. Ele escreveu um dos mais lindos poemas de amor de todos os tempos em que suplicava a uma jovem do campo que se tornasse dele. Disse a esta jovem sulamita que ela era como a aurora, linda como a lua, brilhante como o sol. Mas, aonde o levaram todas as suas excelentes palavras? A lugar nenhum!
A jovem amava seu pastor e nada que Salomão pudesse dizer poderia mudar isso. No que tangia à sulamita, ele desperdiçava sua excelente linguagem e seu tempo. Assim, é a palavra certa, não só no tempo certo, mas dita à pessoa certa, que conta!

Pro. 25:11

Texto diário



 É claro que, em muitos casos, podemos pessoal e diretamente atender às necessidades de idosos, enfermos, hospitalizados ou de outros atribulados em nosso meio. Se divisarmos um modo de mostrar verdadeiro cristianismo, por que não ir em frente e tentar ajudar? (Atos 9:36-39) A nossa motivação não é a pressão de outros, mas sim o amor cristão. O primeiro ingrediente para qualquer ajuda prática é termos genuíno interesse e compaixão. Naturalmente, nenhum de nós pode fazer retroceder o tempo para os idosos, curar doenças por meio de milagres ou nivelar a situação econômica de todos na congregação. Mas, definitivamente, devemos ter o espírito de preocupação e de dar. Se o tivermos, e se agirmos concordemente, isto fortalecerá o vínculo de amor entre nós e os ajudados. Foi isto o que aconteceu entre Paulo e Onésimo, este um cristão relativamente novo que ‘ministrava a Paulo’ na prisão. — Filêmon 10-13; Colossenses 3:12-14; 4:10, 11.

Sentinela 15/10/86- Faça mais do que dizer: Mantende-vos aquecidos.